quarta-feira, 25 de abril de 2012

A mulher no romantismo

A mulher era uma musa, ela era amada e desejada mas não era tocada.
A mulher era alcançada mas a felicidade não era atingida.
A mulher era idealizada e acessível.
A figura feminina é freqüentemente um sonho, um anjo, inacessível.
A mulher era vista como uma virgem frágil.




Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

Estava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos - beijá-la.

Era um quadro celeste!...A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Para não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
'Ó flor! - tu és a virgem das campinas!'
'Virgem! - tu és a flor da minha vida!...'
                                          
                                               Castro Alves
    

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
*Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...

*Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
                   
                                                   Álvares de Azevedo


"Que tesouro na terra há  que a iguale?
Quero-a mil vezes, de joelhos — sim!
Bendita a vida que tal preço vale,
E que merece de acabar assim!"
                        
                                              Gonçalves Dias

Um comentário:

  1. Olá! Hoje visitei o blog de vocês! Muito legal!
    Um visual bem bonito e diferente!
    Os conteúdos postados muito bem elaborados e exemplificados através de vídeos e imagens!
    Parabéns! Bom trabalho!

    ResponderExcluir